O que tem sido feito em prol da promoção cultural da cidade e dos seus munícipes?
Como avisava a canção, a restauração, em vez de madrinha do povo, tem sido madrasta.
A política cultural da cidade está ausente pois as intervenções são efémeras, esporádicas, desligadas, descontextualizadas, sem pretensão de transformar o todo pela articulação das partes. Sendo assim, as iniciativas perdem o carácter estruturante e apenas funcionam no momento e no território das imagens – diz-se que se fez, dinamizou ou desenvolveu, mas o protagonismo só se observa na construção de algumas infraestruturas e equipamentos básicos cuja concretização é deliberadamente tardia, em função de uma ideologia retrógrada e de pequeno alcance que considera a intervenção cultural como acessória, prescindível e não central ao bem-estar e à qualidade de vida das populações; o interesse é apadrinhar, patrocinar, apoiar passivamente, carimbar as iniciativas com atestados de propriedade, escondendo o verdadeiro protagonismo da sociedade civil, das associações e das escolas que, de constrangimento em constrangimento, lá vão potenciando os projectos possíveis, principalmente a nível da intervenção e integração comunitária dos jovens.