Na passada semana o Bloco de Esquerda de Faro elegeu os seus primeiros candidatos à Câmara, Assembleia Municipal e parte das freguesias do concelho. Acto simples mas de debate aberto e empenhado entre os aderentes locais.
O processo foi iniciado há cerca de quatro meses com reuniões de activistas e simpatizantes e a criação de um Blogue (http://mudarfaro.blogspot.com; blocofaro@gmail.com ) que continua aberto à participação de todos os munícipes interessados em contribuir com sugestões e críticas para a elaboração do programa de candidatura.
O relativo atraso na indicação dos candidatos bloquistas e o surgimento da coligação de direita entre o PSD, o PP, o MPT e outros elementos, levou a alguns comentários de quem acompanha mais de perto a vida partidária de que poderiam haver contactos entre o PS e o BE com intenção semelhante. Se ainda havia dúvidas ficaram esclarecidas.
Tais contactos nunca existiram, nem fariam sentido. O Bloco cresceu de votação e atingiu uma inesperada percentagem nas eleições europeias precisamente porque soube mostrar no parlamento e na rua a sua oposição firme, com propostas alternativas, ao governo do PS. Com espírito de diálogo e acção, aberto a todas as áreas e pessoas dos diferentes movimentos políticos e sociais inconformados com o neoliberalismo e a crise.
Fê-lo na defesa dos desempregados, no apoio à luta dos jovens precários, dos professores pela escola pública, na protecção e melhoria do serviço nacional de saúde, da segurança social, da justiça. Com propostas ajustadas de combate à corrupção, contra a evasão fiscal e as fraudes dos banqueiros criminosos, pelo controlo público da banca. Pela nacionalização da gestão da energia e da água, pela preservação ambiental. Por muitas outras causas de avanço civilizacional.
Fê-lo também em Faro, naturalmente em dimensão mais modesta, na rejeição do bloco central dos interesses instalados que há muito dominam a gestão do município, ao sabor da especulação imobiliária, das grandes superfícies e do segredo dos negócios. Em 4 anos de mandato, sempre recusou os Planos e orçamentos camarários de continuidade entre PSD e PS, dos erros colossais sem responsáveis, transformados em factos consumados, mas passo a passo a caminho da crise maior da autarquia.
Sempre propôs e com certeza irá propor nas próximas eleições, uma política de ruptura e alternativa a esse velho rumo desastroso.
Por isso não há mal menor nas opções políticas para Faro. Há o mal maior da cara e coroa da mesma moeda falsa.
A candidatura do Bloco que agora se apresenta vale pelas pessoas que a protagonizam. Mas quer valer ainda mais pelo seu trabalho de equipa. Activistas do BE e companheiros independentes. Sem esquecer o valor de cada um e a responsabilidade de quem dirige, recusa a parangona do homem salvador.
Dirige-se às pessoas não para lhes sacar o voto ao mais baixo custo, mas para lhes propor agir em comum. Quer ouvi-las e aprender com as suas sugestões e críticas. Na medida da força que alcançar lutará pela participação dos munícipes no debate e nas decisões da autarquia.
São demais os anseios e as carências dos farenses à espera de melhoria ou solução.