Por fora do sistema, traria aqui a tragédia da República Democrática do Congo, que é a mesma do Uganda, ou do Burundi... Que antes de tudo o mais, é a tragédia das suas mulheres e crianças. E depois a dos homens que se matam uns aos outros sem saber porquê...
Como cá, sem saber porquê, o português dos “brandos costumes” comenta à laia de conclusão, que aquela gente é mesmo assim e que aquilo só acaba quando se matarem todos...
Cá, bem dentro do sistema, é a Freeport! Pelas notícias já vindas a público trata-se de um típico negócio de cunha e corrupção – no estrito cumprimento da lei. Um clássico! Sem que ninguém se escandalize por aí além, até o ministro do ambiente da altura está envolvido no assunto. Pouco ou muito, está. Inevitavelmente, está.
É o sistema!
Quando o negócio é de milhões e a pressão é muita, seria possível ser ministro e não estar envolvido? Dificilmente. É o sistema!
Se o mercado é rei e o lucro é o seu lema, como resistir-lhe, quando o poder político e a própria lei assim o recomendam? Não acham? É porque não conhecem a legislação que determina os objectivos, a avaliação de desempenho, as carreiras, o emprego, na Administração Pública. Dos professores sabe-se o desconchavo, porque levou ao insistente protesto global do sector. Pois no chamado “regime geral”, agora a caminho do extermínio, é muito pior!
Antes, o velho concurso de ingresso já não era bom. Mas hoje, com as novas leis, adoradoras fieis do mercado, o reino da cunha é quase legal, verdadeiro kit de mãos livres para os dirigentes/patrões/pequenos ditadores de cada organismo público. Para requinte do sistema recomenda-se que seja tudo através das empresas de trabalho temporário, para gáudio do seu patrono, o porta voz da bancada socialista.
Mais palavras para quê, são artistas portugueses e basta!
Compreende-se bem a atitude deste governo e dos seus deputados ao recusarem as propostas anti-corrupção do seu colega João Cravinho. Compreende-se que pôr em causa os offshores seja só promessa, ainda assim deixando de fora o mais que tudo da Madeira. Compreendem-se os PINs, actual forma legal de violar as leis do ambiente, como há mais de uma década, uma célebre portaria de Cavaco Silva, 1º ministro de então, face ao início dos programas de ordenamento regional.
E quando tudo isto e muito mais não é suficiente, compreende-se a justiça portuguesa, zarolha e débil quando olha para cima, célere e dura quando julga nos de baixo.
Compreende-se o português dos brandos costumes que emborcando a mini, exclama: se fosses tu fazias o mesmo! E depois arrota em cima do voto e manda os partidos àquela parte. E o sofredor de partidarite aguda que lamenta a suja política, dos outros, que fizeram vir este caso ao de cima só para lixar o Sócrates.
Só não se compreende, o político, o inteligente, o sábio, que não compreende o crime da Bélgica, eles que pensavam que aquilo só nos EUA, e que olha, recriminador e assustado, para o “niilismo” da juventude grega revoltada...
É o sistema, estúpido!
27/01/09