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Ainda vão por portagens na 125!

 

O Algarve tem cinco cidades desde há séculos e actualmente tem 9. Nove cidades em 150 Km. Grandes centros urbanos afastados cerca de 15km, sem falar nas grandes vilas que estão no caminho. Talvez importe pensar que na mesma época em que já havia 4 cidades no Algarve, em Lisboa, a mais próxima era Coimbra ou Beja. Santarém e Setúbal apenas surgem no final do sec XIX no quadro do desenvolvimento industrial.

 

A minha terra tem uma avenida central, a que chamam 125. Uma grande Avenida Central com 150 Km de comprido, com transversais para cima e para baixo, unindo as povoações-bairros, como a espinha de um peixe comprido. Como muitas outras, esta metrópole tem uma circular. Mas, esta circular, por causa da forma da região, tipo peixe comprido, é uma circular esticada… tipo “paralela”. A circular numa grande cidade permite saltar de um ponto a outro, sem atravessar o centro. Pula-se de um bairro periférico a outro. E no Algarve as urbes são todas periféricas relativamente à circular que é paralela. Podia-se fazer de outro modo. Podia-se ter um ferry-boat de Sagres a Vila Real, mas parece que seria pouco prático, dispendioso e pouco ambiental. Até se podia imaginar outras coisas como um funicular, mas seria idiota. Inteligente, prático e economica e ambientalmente sustentável seria terem investido na via-férrea, mas não fizeram e parece que não pensam fazê-lo. Então, não sobra mais maneira que usar a Via do Infante como circular paralela. Chamam-lhe A22, mas na verdade, ela é a Circular Externa do Algarve. Ela faz parte do desenvolvimento urbano desta região e é um dispositivo de circulação que decorre desse desenvolvimento e é necessária ao equilíbrio desse desenvolvimento. A ameaça de introduzir pagamento de portagens na Via do Infante, que mobilizou todos os sectores no Algarve, ataca de novo. Tal como fazer ruas, passeios, praças, rotundas, escolas e jardins, a circular externa intermunicipal corresponde a uma necessidade de quem aqui vive e trabalha. A Via do Infante não é uma alternativa à 125, mas o seu complemento, no desenho da rede viária da região. Já está paga com os nossos impostos e o dinheiro da União Europeia e a sua manutenção tem a mesma lógica da manutenção das vias nacionais, como a própria 125. A introdução de portagens significaria uma contradição com o próprio acto da sua construção. Pela mesma lógica, o PSD acharia justo “portajar” a 125, qualquer outra estrada nacional, ou mesmo o acesso ao Centro de uma cidade, como aliás, Londres?!

 

[artigo publicado no Região Sul]