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«Espelho meu, ,diz-me se há alguém mais belo do que eu?»

 

Após um Verão excecionalmente quente, eis que estão de volta, numa dupla rentrée, o José Sócrates e o Pedro Passos Coelho, que, num concurso promovido pelo Correio da Manhã, obtiveram respetivamente o primeiro e o segundo lugares na categoria «Sexy Platina».

 

E perguntarão alguns leitores: «O que é que isso interessa?» Quando o povo entende cada vez menos os discursos dos políticos e desiste de escutá-los, nunca desistirá de contemplar a beleza e por ela sentir-se-á sempre atraído/a. O primeiro ministro continua freneticamente agarrado ao leme, tentando manter o barco à superfície, apesar do vento sueste vir agitando as águas…

 

Já o Pedro é aquele a quem algumas vozes apontam como sendo o novo salvador da pátria. Sócrates levou vantagem no tal concurso do Correio da Manhã, mas, na corrida ao lugar de primeiro ministro, quem obterá o primeiro lugar? E se em matéria de beleza andam lado a lado, será que politicamente serão assim tão diferentes? A mim parece-me que não, senão vejamos: o Pedro clama pela revisão constitucional nalguns aspetos em que o José Sócrates está contra, mas na sua governação tem cumprido essa mesma constituição? Num país com cerca de 600.000 desempregados, onde imensos já estão numa situação de miséria extrema, onde está o «pão, a habitação, a educação…» que Sérgio Godinho imortalizou na célebre cantiga?

 

Por sua vez, José Sócrates ataca Passos Coelho acusando-o de querer acabar com o Estado social e de proteger os interesses dos mais ricos numa corrida às privatizações. Mas tudo isto soa a falso, quando o flagelo social do desemprego lhe parece passar ao lado…

 

Em Portugal, pode faltar dinheiro para muita coisa, mas nunca faltará para empresas públicas mal geridas, com enormes buracos financeiros. Mas a isso o governo fecha os olhos e até vai autorizar que algumas dessas empresas públicas ultrapassem os limites de endividamento. Afinal, é muito mais o que os une do que aquilo que os separa….Aquando da aprovação do PEC, juntos dançaram o tango. Agora, na aprovação do orçamento, talvez o Pedro (que afirmou que canta melhor do que dança) consiga pôr o José também a cantar o fado do nosso descontentamento…

 

[publicado no barlavento.online]