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Orçamento diletante e despesista

O recentemente aprovado Orçamento Municipal de Aljezur lê-se melhor como um Orçamento de uma Empresa de Construção Civil do que como um Orçamento de um órgão autárquico responsável por sectores como educação, cultura e emprego num Conselho que, exactamente por estas preocupações não serem satisfeitas se encontra em derrocada financeira, empenhado até à raiz dos cabelos, com uma população em debandada generalizada e sem recursos sustentáveis.

Em Aljezur quanto maior é a crise, maior é o Orçamento. Trabalha-se ao sabor do que aparece, a ver se dá resultados. Se não der paga o contribuinte. A realidade é que, dando como exemplo Odeceixe, a mais importante freguesia do Concelho, metade do comércio está fechado com a perspectiva de um terço nunca mais abrir mesmo que o Verão encha a terra de turistas o que não é de esperar com o Algarve em recessão no sector. Desde que a cadeia Alisuper entrou em falência só se encontra no concelho um supermercado de vinte em vinte quilómetros. Os edifícios de prestígio da autarquia socialista, pavilhão desportivo e piscina, construídos a crédito, estão vazios. O resto anda para ali á espera de Godot e de que o tempo aqueça. Os autarcas passeiam-se em BMW topo de gama, naturalmente com aquecimento. Nas escolas os miúdos assistem às aulas de luvas e barrete para não gelarem.

Voltando ao Orçamento, nota-se que os grandes postos vão para coisas como "Aquisição de terrenos", "Outros" e para "Sociedades de Investimento". O que será isto? O que são "Outros"? Será o Hotel de 5***** financiado aparentemente por uma sociedade sediada no offshore da Madeira e planeado em pleno Parque Natural para o qual Sócrates aprovaria um P.I.N? Sobre isto ler a resolução do Conselho de Ministros 13/2010 em que se vai adiando o prazo para apresentação das resoluções sobre o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Costa Vicentina, ninguém sabe bem porquê. O Estatuto de Parque Natural é bem claro. Não se metem aí hoteis de 5***** a calçadeira por muita promessa que o PS faça. Estarão à espera do dinheiro que ninguém sabe de onde vem? A espera do P.I.N que corrompe a lei estabelecida? Depois da catástrofe da Lehmann Brothers, alguém acredita em sociedades de investimento ou jogadas económicas, ainda por cima vindas da Madeira? O PS de Aljezur está cativo de uma ou mais sociedades de investimento imobiliário porque prometeu de mais na campanha de 2009. Agora tenta mostrar no Orçamento aquilo que nunca foi aprovado como se lê na tal resolução do Conselho de Ministros.

Em todos os mandatos PS se projectam centenas de milhares de euros para um "1° ciclo e um polidesportivo em Odeceixe". Até hoje nem escola, nem desporto nem dinheiro para o projecto. No mandato de 2006 entravam no Orçamento 50 000 euros para um Canil Municipal, prometido há um decénio. Neste mandato a obra que nunca existiu já vem orçamentada em 120.000 euros. Quanto menos gente, mais cão? E, por haver cada vez menos gente, se orçamentam somente 40.000 euros para a Cultura? Considerando que as despesas com pessoal camarário andam nos 4 milhões de euros, serão os 260.000 euros projectados para campos de futebol e lazer destinados a estes votantes por conveniência?

Resumindo, de um Orçamento de 15 milhões de euros, metade vai para obras disto e daquilo num concelho a desertificar-se, um quarto para a clientela funcionária e o resto para bens e serviços ou seja para mais do mesmo. Não haverá medidas para o desemprego, cultura, comércio e turismo sustentável. No Pavilhão de Feiras, outra obra de prestígio por acabar, estará certamente o auditório para assistirmos à tragédia grega, isto se os fundos com que contam chegarem a sair do governo falido do José Sócrates.