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"O Algarve é uma região desfavorecida dada a falta de investimento público"

O deputado do Bloco de Esquerda eleito pelo Algarve viajou de comboio entre Vila Real de Santo António e Faro para alerta para a degradação da linha ferroviária algarvia e reclamar mais investimento público para este setor

A iniciativa, que  partiu da organização bloquista do sotavento algarvio, teve lugar na manhã do dia 24 de setembro e reuniu, além do parlamentar bloquista, dirigentes regionais do movimento, teve o objetivo de contatar diretamente com os utentes do transporte ferroviário no sotavento algarvio, assim como auscultar os profissionais do setor no que respeita às condições de trabalho assim como ouvir as reivindicações das suas estruturas sindicais e comissões de trabalhadores.

Com ponto de partida na estação de Vila Real de Santo António no comboio da manhã, o qual chegou a Faro às 8h31. Seguiram-se um conjunto de reuniões com as estruturas sindicais e comissões de trabalhadores do setor.

Já na estação ferroviária de Faro, o deputado João Vasconcelos afirmou serem necessárias “acões concretas, pois é isso que exigido pelos utentes do serviço ferroviário e pelos trabalhadores deste setor. O Bloco de Esquerda sabe que estão previstas medidas para o melhoramento das condições de transporte e circulação, tais como a eletrificação da via, e até ao ano de 2021, mas isso é muito tarde e a degradação já atingiu um patamar limite. É urgente reverter a situação, sendo este o momento para começar a dotar as linhas de material circulante com condições mínimas, sem avarias, com horários adequados às vidas das pessoas”, afirmou o deputado algarvio.

Os muitos utentes que elegem o comboio como o seu meio de deslocação diário, encontram um vazio de articulação entre as diferentes ofertas de transporte coletivo. O horário do comboio não coincide com o horário do autocarro e por aí fora. Atendendo a que muitos trabalhadores, estudantes, dona de casa, etc., tem neste meio de transporte um recurso imprescindível em conjunto com o transporte rodoviário, deve existir toda uma articulação de percursos e horários para dar a melhor resposta às pessoas. Tal como em Faro e no Algarve em geral, tal não acontece.

Toda a rede de transportes coletivos no Algarve deve ser repensada e esta deve ser a aposta do momento: quer seja no modo ferroviário, quer seja no modo público e coletivo.

"O Algarve é uma região particularmente afetada dado a muita falta de investimento público na área mobilidade, o que levou a região a regredir face a outras e mesmo ao país".

A falta de carruagens, por exemplo, e sabendo-se que aquelas que existem são velhas e obsoletas, a alternativa imediata é investir em equipamento adequado de forma a garantir uma mobilidade de qualidade para algarvio e visitantes na região. O Governo não pode estar refém do défice: é necessário investimento e este para este setor e para a região do Algarve. É urgente e prioritário colocar material circulante na linha férrea do Algarve e desbloquear os procedimentos e as verbas necessárias para a rápida e integral eletrificação da linha ferroviária do Algarve.

O Governo lança o programa PETI3+ como garantia para o lançamento do concurso ainda este ano e até ao princípio de 2019, o qual consideramos que já se devia ter lançado. Aliás, o Ministro das Infraestruturas e Planeamento, em deslocação ao Algarve, já anunciou por mais do que uma vez estas intervenções e sempre com a clamor de brevidade mas até à data nada foi feito. O Bloco de Esquerda considera que é necessário e prioritário melhorar a mobilidade da região do Algarve, modernizar o material circulante, adequar os horários e articular os demais ofertas de transporte coletivo, designadamente o rodoviário, e garantir condições dignas para quem trabalha neste setor.

A estrutura distrital do Bloco de Esquerda - Comissão Coordenadora Distrital - considera realizar uma nova ação desta natureza mas desta vez no barlavento algarvio.