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Todos somos Palestinianos!

Mais de duas dezenas de pessoas estiveram presentes no Jardim Manuel Bívar, no centro de Faro, em solidariedade com o povo Palestino de Gaza.
A iniciativa, convocada para o final da tarde de sexta-feira, dia 23 de novembro, teve como propósito apelar ao fim dos massacres na faixa de Gaza e exigir o direito do povo Palestiniano a um estado livre e independente.
Celeste Baeta,  do grupo dinamizador da iniciativa, lembrou que a "desmesurada desproporção de meios, causadores de largas dezenas de mortes e centenas de feridos, quase todos civis e sobretudo mulheres e crianças" é motivo suficiente para "estar ao lado do povo Palestino nesta luta!".
Radhouan Ben-Hamadou frisou o papel determinante das redes sociais neste conflito e de como o "povo Palestino conta a ajuda de todos e todas nesta concentração para usarem do passa-palavra nas redes sociais", afirmou. Lembrado o episódio que sucedeu aos atentados e 11 de setembro, quando os meios de comunicação sociais em todo o mundo fizeram enfase na mensagem "todos somos Americanos", Radhouan apelou para que todos os cidadãos que, ou estão revoltados com esta guerra, ou simpatizam com o povo Palestino, ecoem nas redes sociais a mensagem "todos somos Palestinos!"
Por volta das 19h foi lida uma moção que acabou por merecer saudação e aplausos de todos os presentes. O texto (que transcrevemos abaixo) exige o fim definitivo dos ataques ao povo Palestino, a libertação dos presos, o fim das sanções económicas, a livre circulação de pessoas e a demolição do muro do "apartheid", por uma Palestina livre e independente.

NÃO MAIS MASSACRES A GAZA - PALESTINA INDEPENDENTE
MOÇÃO
Após 6 dias de bombardeamentos sobre a terra mártir de Gaza, após uma destruição maciça que provocou a morte a cerca de 150 palestinos e mais de um milhar de feridos, quase todos civis e sobretudo crianças e mulheres, a pressão do protesto internacional contra mais esta agressão israelita e a mediação de diversas entidades e governos levaram, no dia de ontem, à declaração de tréguas entre o governo de Israel e o Hamas.
Os cidadãos presentes em Faro, no dia 23 de Novembro, na Concentração de solidariedade com o Povo de Gaza, manifestam a sua satisfação pelo cessar-fogo alcançado.
Porém, todos sabemos como é frágil este calar das armas. Provam-no as inúmeras agressões israelitas, desde o quotidiano apartheid que torna num inferno cada dia das populações palestinas dentro e fora de Gaza, até às acções bélicas como os massacres de há 4 anos, cujo número de mortos e feridos palestinos foi ainda superior ao de agora.
Lembrar que também há mortos e medo em Israel é um facto, mas a desproporção só acentua a injustiça e a desumanidade do conflito. É enorme a desproporção de vítimas, de destruição de infraestruturas e das condições mínimas de vida, as privações sistemáticas de medicamentos, água, electricidade, alimentação, as tremendas dificuldades para a prática mais elementar do comércio, da pesca, da agricultura, da circulação nas ruas, que esmagam o povo palestino. Tudo isso contrasta de forma cruel e absurda, com o poderio do governo israelita, desde a sua força militar, uma das maiores do mundo, dispondo das armas nucleares aos drones assassinos, até ao seu domínio dos mares, da quase totalidade das terras férteis, da indústria, do controlo financeiro sem restrições.
A paz definitiva e uma justa solução que permita o regresso dos refugiados e devolva ao povo palestino o direito a viver livremente na sua terra, em pacífica coexistência com as populações judaicas, é algo que hoje está mais longe do que perto.
O governo israelita não o deseja e a construção do muro na Cisjordânia, o aumento dos colonatos, a permanência do bloqueio a Gaza e do apartheid, são passos de agressão contrários à paz.
Conscientes desta realidade, as cidadãs e os cidadãos presentes em Faro na Concentração de solidariedade com o Povo de Gaza dirigem-se ao presidente da república, ao governo e aos diferentes grupos parlamentares portugueses para que actuem junto do governo israelita e das instâncias internacionais no sentido de que:
Seja posto fim definitivo aos ataques ao povo palestino, se proceda à libertação dos milhares de presos, ao fim das sanções económicas, à livre circulação das pessoas e à demolição do muro do apartheid, pelo direito do povo palestino a ser independente e livre na sua pátria.
Nesse sentido, apoiamos a campanha internacional de boicote aos produtos israelitas e de todas as suas iniciativas no exterior e apelamos a que também em Portugal essa campanha se fortaleça.
Faro, 23 de Novembro de 2012

AnexoTamanho
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