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Músicos de Faro em protesto mudo

 

A Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM), entre outras acções que tem desenvolvido contra a intenção de despejo da sua sede, promoveu hoje, 4 de Dezembro, um desfile que, logo manhã cedo, partiu desse local, perto da Estação da CP, e percorreu parte da baixa farense indo terminar junto ao Coreto do Jardim Manuel Bívar.

Cerca de duas centenas de pessoas responderam ao apelo da ARCM e desfilaram empunhando os mais diversos instrumentos musicais, da percussão às tradicionais guitarras eléctricas. O protesto foi silencioso simbolizando as grandes dificuldades para ensaiar e realizar espectáculos que terão as 31 bandas que actualmente utilizam as 18 salas de ensaio existentes nas instalações da Associação, caso o despejo se concretize.

A ARCM representa um exemplo único de associativismo no Algarve, em actividade desde há 20 anos nos mais diferentes géneros musicais e é também espaço para grupos de dança, teatro, colectivos de DJ’s e outros grupos que por falta de sede própria recorrem à ARCM. A Associação não tem fins lucrativos mas tem sido financeiramente auto-suficiente. Com mais de 400 sócios serve mais de 150 músicos entre as 31 bandas que lá tocam. 

Esta notável acção numa cidade e numa região que é tão escassa em locais públicos ou privados ao dispor dos grupos culturais em formação ou com poucos meios financeiros, motivou a forte adesão e protesto face à indiferença da Justiça local e à reduzida atenção da autarquia, quando não mesmo a cumplicidade com a acção de despejo movida pelos actuais senhorios.

São já antigos os projectos de recuperação dos armazéns que servem de Sede à ARCM integrados, com os velhos silos anexos e a própria estação da CP, no chamado Passeio Ribeirinho que pretendia a recuperação cultural e paisagística de todo o património da zona ribeirinha da Ria Formosa ao longo da baixa de Faro. Aí tinha todo o cabimento a permanência da Associação na sua sede de sempre. A ganância da especulação imobiliária e a irresponsabilidade de sucessivas gestões camarárias deram lugar à deplorável situação actual.

Contudo a ARCM não desiste de manter a sua actividade, ali permanecendo enquanto puder e, pelo menos, até que seja encontrada uma solução viável para o seu realojamento definitivo. Por isso as acções de sensibilização e protesto vão continuar, desde o abaixo-assinado que hoje foi posto a circular até ensaios das bandas nas ruas e praças farenses.