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Trabalhadores do Hotel Montechoro em greve

No passado dia 16 de Julho, um grupo de trabalhadores do Hotel Montechoro acompanhados por dirigentes do Sindicato da Hotelaria do Algarve e outros sindicalistas, deslocou-se à nova coqueluche da hotelaria olhanense, o Real Marina Hotel e SPA, a fim de protestar junto do Secretário de Estado do Turismo pelo atraso de três meses no pagamento dos salários por parte da administração do Hotel Montechoro.

O secretário de estado esteve no Real Marina Hotel de Olhão respondendo a um convite informal deste no âmbito da divulgação do início da actividade desta unidade hoteleira e na promoção do espectáculo da artista Natalie Cole.

Uma delegação de trabalhadores, que, no dia 16 iam no terceiro dia de greve, encontrou-se com o secretário de estado que se comprometeu a questionar e a pressionar a administração do Hotel Montechoro a pôr em dia o pagamento dos salários. Para além da ilegalidade do atraso dos pagamentos, a administração do hotel também está a substituir ilegalmente os trabalhadores em greve por outros que contrata em trabalho temporário. O sindicato já apresentou queixa à ACT que iniciou um processo.

Os trabalhadores e o sindicato pretendem que a ACT e agora o sec. de estado imponham a imediata reposição dos salários e sancionem a administração pelas ilegalidades que tem vindo a cometer e os prejuízos causados sem quaisquer razões válidas.

Segundo o coordenador do sindicato da Hotelaria do Algarve, Joaquim Borges, estes atrasos de pagamento já se repetem nos últimos anos, mas têm ocorrido sempre na época baixa do ano, com o pretexto da fraca ocupação de clientes no hotel. Porém agora foram impostos mesmo na época alta e como o hotel em plena ocupação.

Para aquele sindicalista não existe qualquer dificuldade financeira do Hotel que leve aos atrasos impostos. Pelo contrário eles resultam da intenção da administração em fazer crescer nos trabalhadores a ansiedade quanto ao seu posto de trabalho e pressionar os mais velhos a terminarem os contratos aceitando indemnizações para se irem embora, o que já foi alcançado com alguns trabalhadores 

A administração pretende assim ver-se livre da maioria dos empregados com 20 e 30 anos de casa para os substituir por jovens em regime precário que vai contratando e dispensando conforme as necessidades mais prementes da afluência de clientes.

A pretexto da crise económica e da diminuição de turistas na região, o patronato hoteleiro do Algarve usa estas e outras manobras, mesmo ilegais e altamente lesivas dos direitos laborais e das condições de vida dos seus trabalhadores, para não baixar as grandes margens de lucro a que de há muito se habituou.