Share |

Solidariedade com os trabalhadores da Bela-Olhão

Fabrica Bela-Olhão

No passado dia 12 de Novembro, uma delegação do Bloco de Esquerda do Algarve deslocou-se à fábrica Bela Olhão, onde contactou com elementos da Comissão de Trabalhadores e outras colegas presentes nesse turno da vigília que todos vêm efectuando desde o início do mês.

O Bloco prestou a sua solidariedade com a luta em curso para defesa dos postos de trabalho e pela manutenção da fábrica em funcionamento. Manifestou também a disponibilidade para o apoio que os trabalhadores julguem oportuno solicitar.

Regista-se a coragem e o elevado moral que todos revelam, traduzido na participação generalizada nos piquetes que, 24 sobre 24 horas, se mantêm em vigília permanente, desde que, no dia 3 de Novembro, a grande maioria dos trabalhadores recebeu a carta de despedimento. São jovens mulheres e homens, grávidas, mães de família, colegas já idosos, todos se revezam para garantir que nenhum equipamento da fábrica é retirado. Porque esse é o bem mais precioso para assegurarem uma solução que prejudique o menos possível os trabalhadores: ou a mais desejada, que será a continuação da fábrica a laborar com o actual ou com novo dono; ou, na pior das hipóteses, o seu fecho mas com indemnizações acrescidas aos trabalhadores e a efectiva garantia de subsídios de desemprego e colocação rápida em outros empregos.

Só intenções obscuras e a falta de vontade, impedirão que a fábrica continue a laborar. Os trabalhadores consideram que a baixa de produção não justifica o encerramento. A produção tem sido quase exclusivamente para exportação. A fábrica não tem dívidas à banca, nem a fornecedores. As instalações são grandes e modernas, o equipamento também, podendo ser ou não, reconvertido. E desde que sejam corrigidos erros e opções de gestão que anteriormente prejudicaram a empresa. É esse o sentimento geral.

Muitos aspectos permanecem por esclarecer: porque foi feita a reconversão e apenas para o fabrico de comida para animais domésticos, quando, na época, o mercado das conservas de sardinha não estava em crise? No entanto, no sítio da Net, aparentemente actualizado e sediado em Boston, continuam as encomendas para conservas de peixe com o mesmo logotipo e exportadas de Portugal para os EUA? Também na Net, a frota pesqueira Blue Galleon afirma transportar para vários destinos, conservas de sardinha e de atum Bela Olhão. Mas pescados onde? A partir de que fábrica? São questões pouco claras que levantam dúvidas sobre que outras intenções poderão estar por detrás do fecho da fábrica.

Curiosamente, durante a visita da delegação do BE, elementos da Administração encontravam-se junto da porta de entrada da fábrica, mas esquivaram-se assim que o Bloco procurou chegar à fala com eles.

Entretanto, a CT tem acompanhado as deligências que várias entidades estão a fazer: a Câmara na busca de encontrar um comprador; a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) que verificou irregularidades do processo de despedimento e instaurou contra-ordenações à empresa; em paralelo, o sindicato e os trabalhadores com os seus próprios advogados estão também a accionar acções judiciais contra a empresa.

As vigílias vão continuar dia e noite até que a situação se esclareça definitivamente. Nesse sentido há um grande esforço para que se mantenha a unidade entre todos, o que tem sido conseguido até à data. É essa a vontade da esmagadora maioria dos trabalhadores, embora saibam como a sua luta é difícil. 

Por isso é tão importante a solidariedade para com eles. A solidariedade de familiares e amigos, dos colegas doutras empresas, das entidades laborais. Do poder local e do poder central exige-se rapidez e eficácia na prestação dos direitos judiciais e sociais. 

Mas isso é pouco. Se há dinheiro e se aprovam à pressa leis para salvar a banca e os seus donos, é escandaloso que não existam medidas preventivas e seriamente punitivas das situações como a que agora acontece com a Bela Olhão e com os seus 179 trabalhadores despedidos.