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Se não há alternativa, não pode haver portagem

Na sua reunião do passado dia 17 de Setembro, a Comissão Coordenadora Regional do Algarve do Bloco de Esquerda analisou a recente medida de introdução de portagens na Via do Infante (A22) e decidiu tornar pública a seguinte tomada de posição de apelo a todos os algarvios que se unam contra mais esta medida do Governo Sócrates/PS.

O Bloco de Esquerda desde sempre se tem pronunciado contra a existência de portagens na Via do Infante. Aliás, como muitas personalidades algarvias de diversos quadrantes políticos, desde Presidentes de Câmara, (como, Francisco Amaral ou Macário Correia), dirigentes de organização económicas (como Vítor Neto) e até mesmo dirigentes políticos regionais, como Mendes Bota do PSD e Miguel Freitas do PS. Todavia, o Bloco de Esquerda não pode deixar de alertar os algarvios para a gravidade da situação e para a necessidade de uma acção coerente, consistente e firme do conjunto da sociedade algarvia.

De facto, a lógica neo-liberal que pauta a política do PS e do PSD, em conjunto, é a da introdução dos mecanismos, em tempos, designados por “capitalismo selvagem”, que foi experimentado no Chile de Pinochet e desenvolvido em todo o mundo por Thatcher e Bush. Querem chamar-lhe agora “capitalismo de mercado”. No que respeita ao Algarve, esta política deixou o transporte ferroviário ao abandono, não desenvolveu transportes colectivos, nem urbanos, nem interurbanos eficientes, e empurrou os residentes e visitantes desta região para a utilização do automóvel como único meio de transporte. A aplicação dessa orientação política de modo coerente conduz à introdução de portagens na Via do Infante, espinha dorsal da mobilidade nesta região. É isso que eles farão se tiverem força. A resposta é dos algarvios. 

As direcções regionais do PSD e PS estão subjugadas pelos ditames desta política. Face à posição “crítica” de Mendes Bota que escreveu uma carta à Direcção do Partido considerando reaccionária a introdução de portagens, a direcção do Partido de Passos Coelho, enviou M. Relvas dizer claramente aos dirigentes regionais e aos Presidentes de Câmara que quem manda na política do PSD é a sua Direcção. O Bloco de Esquerda está de acordo com Mendes Bota, mas essa é a política do PSD. Miguel Freitas e Jamila Madeira, do PS ousaram apresentar queixa a Bruxelas. Para que não fiquem dúvidas sobre qual a política do PS para a região e sobre quem manda, veio cá o Secretário de Estado e disse com clareza que a política do PS é introduzir portagens. 

Por não termos dúvidas sobre a justeza da reivindicação, por entendermos que há da parte de muitos sectores uma franca disponibilidade e determinação em combater esta medida, tanto defendida tanto pelo PS como pelo PSD; por não nos iludirmos com a isenção por um ano do seu pagamento; por conhecermos a honestidade dos agentes políticos algarvios, apelamos a todas as forças políticas e seus simpatizantes, todas as organizações da sociedade algarvia, e ainda a todos os habitantes desta região que juntem esforços para a acção conjunta capaz de inverter a determinação do Bloco Central em introduzir portagens na Via do Infante.