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Fecho da groundforce em Faro: crime premeditado

O despedimento dos 336 trabalhadores da Escala de Faro da Groundforce e a forma com tal ocorreu é um acontecimento inédito nesta região.

A crueldade e o cinismo do procedimento da Administração da empresa indignou os cidadãos. O número de trabalhadores despedidos, tendo todos mais de 15 e 20 anos de emprego; a grave situação criada com diversos casais ambos lá trabalhando com famílias constituídas e idades em que um novo emprego será bem difícil. A revolta por tudo isso levantou um grande movimento que se traduziu na concentração espontânea de centenas de pessoas da cidade que no dia 12 se juntaram no Aeroporto em solidariedade com os trabalhadores.

Nada disto comove os chefes da empresa nem o Governo. Os seus lamentos são insultos de gente sem escrúpulos. É tal a sua arrogância e despudor que afirmam que está a ser feito o que tinha de ser feito para evitar ainda males maiores para os restantes trabalhadores da empresa. Sádicos, pretendem impedir a solidariedade dos colegas, pondo uns contra os outros.

Os factos já relatados pela CT e pelos sindicatos mostram que a verdade é que este despedimento estava de há muito programado. E resulta de um conluio entre a TAP e o próprio governo.

Os serviços em causa (handling) começaram por pertencer em exclusivo à TAP, que posteriormente os alienou vindo a subcontratá-los a duas empresas, a Groundforce (resultante de manobras da própria TAP) e a Portway, no entanto ambas controladas pelo Estado.

Acontece que os trabalhadores da primeira têm muitos anos de trabalho efectivo, com direitos e ordenados acima dos da segunda. Nesta, a grande maioria são precários (outsourcing), com baixos salários e poucos direitos.

O facto do pessoal da Groundforce ser altamente qualificado, formador dos outros e muito elogiado por todas as companhias aéreas que contratam os seus serviços, é algo que agora a TAP e o Governo desprezam. Como desprezam a eficiência do serviço, as condições de trabalho e as próprias condições das bagagens, passageiros e aviões.

A única coisa que os preocupa é cortar a eito nos custos. Mas não só: pretendem também o fim da Groundforce em que o encerramento de Faro é apenas o primeiro passo. Por isso a Administração tem inviabilizado bons contratos e negociado maus contratos com algumas companhias aéreas e não se incomoda com os reflexos negativos que esta actuação vai provocar perante essas companhias.

Afinal, o pano de fundo é a intenção já antiga e que o actual Governo insiste em concretizar – a privatização da TAP. Para isso procura reduzir ao máximo os custos e o pessoal que dela, directa ou indirectamente, dependem.

Exemplo dramático da desumanidade e da política iníqua que domina o governo e os poderosos deste país, o despedimento dos 336 trabalhadores da Groundforce tem a total oposição do Bloco de Esquerda.

No próprio dia os deputados do BE questionaram o governo para que trave este processo. Na concentração de dia 12, a deputada pelo Algarve, Cecília Honório, e outros dirigentes e activistas locais reuniram com membros da CT e dos sindicatos e prestaram a sua solidariedade aos trabalhadores.

Manifestaram também a vontade de apoiar todas as acções e propostas dos trabalhadores para reverter a situação.

É convicção do BE que para tal é indispensável que se reafirme a solidariedade do passado dia 12 e que os trabalhadores continuem a sua luta em unidade e com grande exposição pública.