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Trabalhadores de Montechoro temem represálias

 

Cerca de 200 trabalhadores do Hotel Montechoro, em Albufeira, estão com salários em atraso, mas receiam queixar-se ao sindicato e sofrerem represálias da administração.

Alguns dos trabalhadores não recebem os salários há dois meses, mas a administração tem adiantado parte dos ordenados através de vales, de acordo com Florinda Santos, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, em declarações à Lusa.

O adiantamento de parte dos ordenados através de vales impede os trabalhadores de poderem alegar falta de pagamento de salários para se despedir, já que só o poderiam fazer se houvesse 60 dias de atraso.

O hotel de quatro estrelas, localizado em Albufeira, é uma das unidades mais conhecidas da zona, com centenas de quartos, salas de conferências e restaurantes, que recebem casamentos e festas de "revéillon".

Segundo a dirigente sindical, a situação não é nova e repete-se "há muitos anos", mas a maior parte dos funcionários receia dar a cara e avançar para uma greve com medo de serem despedidos.

"Até para fazer um plenário temos dificuldade, porque os trabalhadores não aparecem", diz, acrescentando que deverá ser marcado um plenário para os próximos dias, embora não haja ainda uma data.

Segundo Florinda Santos, a administração não tem prestado qualquer esclarecimento aos trabalhadores sobre a situação, havendo mesmo algum pessoal que já anunciou tencionar despedir-se.

Aquela responsável diz ainda que o problema no pagamento dos salários não deverá ter a ver com a falta de receitas do hotel, pois, apesar de não estar cheio nesta altura do ano, não têm faltado clientes.

"Estive no hotel no mês passado e naquela dia havia 900 clientes alojados", concluiu.

A agência Lusa tentou obter um comentário da administração do Hotel Montechoro, mas tal não foi possível até ao momento.