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Faro: manifestação contra desemprego e precariedade

Meio milhar de pessoas num protesto organizado pela União de Sindicatos do Algarve. O Bloco prepara-se para exigir na AM, contratos para todos os precários da câmara.

Cerca de meio milhar de pessoas participou na manifestação de luta contra o desemprego e a precariedade laboral organizada pela União de Sindicatos do Algarve em Faro.

"Do nosso ponto de vista, foi uma boa adesão a este protesto contra o desemprego. Tivemos muitos trabalhadores aqui presentes e pensamos que é uma das etapas da luta que vamos continuar contra a precariedade, o desemprego, pela promoção do emprego e pelo desenvolvimento da região", afirmou António Goulart, da União de Sindicatos do Algarve, à Lusa.

Goulart frisou que "o Algarve vive uma situação muito grave", com uma crise económica e social e perto de 30 mil desempregados em Janeiro, segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), "número nunca atingido na região".

"Temos a noção clara que o desemprego real é superior a esses 30 mil indicados pelo IEFP. Sabemos que todos os dias estão a encerrar empresas, sabemos que milhares de famílias algarvias estão a passar muito mal, também sabemos que não vai ser o verão turístico que vai resolver o problema, porque não vai ser capaz de reabsorver esta quantidade de postos de trabalho perdidos, e a situação tende neste momento a piorar face à ausência de medidas do Governo", acrescentou o dirigente sindical da estrutura afecta à CGTP.

A precariedade na região do Algarve não se restringe ao sector privado e tal como já fez em Portimão e noutros sítios do país, o Bloco de Esquerda vai apresentar uma moção na Assembleia Municipal (AM) de Faro para que a autarquia incorpore nos seus quadros os trabalhadores com contrato a tempo determinado, que diz representarem 20 por cento dos funcionários do município.

Na proposta que o deputado José Moreira vai levar à próxima reunião da AM, o Bloco considera que "Portugal e, em particular, o Algarve, vivem uma grave crise social, com um desemprego crescente no concelho de Faro, situação que "ameaça a coesão social devido ao aumento da pobreza".

O Bloco defende, por isso, que "à câmara compete não só prestar os serviços aos cidadãos", mas também "velar pela coesão social do concelho", pelo que "se exige ao poder local, neste tempo de crise social, um esforço no combate ao desemprego e à precariedade laboral".

Assim, a Câmara Municipal de Faro deverá "proporcionar ao seu quadro de pessoal vínculos estáveis e não contribuir para o aumento da taxa de desemprego no concelho", diz o Bloco, propondo que " todos os postos de trabalho com relação jurídica por tempo determinado seja, no fim do seu prazo, renovados por tempo indeterminado".

Igualmente presentes na manifestação, que começou no liceu de Faro e terminou na baixa da cidade, estiveram trabalhadores da Allicoop e Allisuper, empresas de supermercados de venda a retalho e ao consumidor final, respectivamente, que, segundo Goulart, "estão uma situação

Maria José Madeira, dirigente e representante sindical da CGTP junto dos trabalhadores da Allicoop, explicou que a presença na manifestação foi "a forma de mostrar ao governo que se está numa situação que não se gostaria e de previsível desemprego se a CGD não dispuser do valor de 1,2 milhões de euros".